“Apenas” classificar para a Libertadores está dentro das expectativas para 2018?

Por: Rodrigo Campos

Foto por: Bruno Cantini / Atlético

Qual o objetivo do Galo no Campeonato Brasileiro de 2018? A taça? Vaga para a Libertadores? Os dirigentes falam em título, lógico, como todos os outros dos clubes brasileiros. Mas, o que o torcedor deve esperar para o fim de ano?

Em pesquisa feita no perfil do Galo Estatísticas no twitter, veja como os torcedores votaram sobre a conquista de uma vaga para a Libertadores, levando em consideração toda a remontagem de elenco, novo técnico, nova filosofia diretiva, etc.:

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Vamos fazer uma rápida e importante retrospectiva dos acontecimentos em 2018 e, logo depois, um balanço do elenco do Galo em 2018 para refletirmos sobre o verdadeiro objetivo atleticano no ano.


Primeira reconstrução: demissão de Oswaldo de Oliveira

O ano de 2018 começou diferente dos anteriores. Com um discurso de austeridade, o presidente recém eleito Sérgio Sette Câmara modificou a maneira do clube agir no mercado de transferências. A era Nepomuceno ficou marcada por altos investimentos mas pouco retorno em forma de títulos para o Atlético, além da perda de identidade como time, erros que o atual mandatário, juntamente com o diretor de futebol Alexandre Gallo, parecem tentar evitar a todo custo.

A primeira medida foi aliviar a folha salarial, não renovando com Robinho e rescindindo o contrato com Fred, as duas peças mais caras do elenco atleticano de 2017. Além disso, o clube também perdeu o melhor lateral direito do país no ano passado: Marcos Rocha. Optando pela manutenção de Oswaldo de Oliveira para 2018, mesmo sem ter um fim de 2017 que empolgasse o torcedor, o ano começou com várias contratações indicadas pelo treinador, como Erik, Arouca, Roger Guedes, Samuel Xavier e Ricardo Oliveira, por exemplo. A maioria desses já haviam trabalhado com o técnico anteriormente. Outros como Tomás Andrade e Iago Maidana também chegaram em janeiro.

Oswaldo em 2017 ao lado de Larghi (Foto por: Bruno Cantini / Atlético)

A expectativa era montar um time jovem para ter mais força e velocidade, relembrando os últimos anos de sucesso onde todos os adversários eram sufocados pela intensidade alvinegra no Horto. A esperança que a torcida tinha que isso acontecesse acabou logo nos primeiros jogos. Mesmo com o elenco montado já na pré temporada, a equipe não mostrou nenhuma evolução ao longo dos jogos. Era um time sem modelo e sem ideia de como jogar. Após 6 jogos, Oswaldo foi demitido. Toda a pré temporada feita com o treinador foi perdida e o Atlético precisava da primeira reconstrução de ideias no ano, logo em fevereiro.

O último time titular de Oswaldo de Oliveira ficou assim:

Victor, Samuel Xavier, Leonardo Silva, Gabriel, Fábio Santos, Arouca (Adilson), Elias, Otero, Róger Guedes (Luan), Ricardo Oliveira e Erik (Marco Túlio)


Thiago Larghi pré copa: Definição do novo modelo de jogo

A procura desordenada e frustrada por um novo treinador teve fim após uma sequência de jogos com o comando de Thiago Larghi, que era auxiliar técnico de Oswaldo de Oliveira. Mesmo sendo seu primeiro trabalho como técnico interino, ele conseguiu implementar um modelo de jogo diferente dos últimos técnicos.

Aos poucos, Larghi foi definindo sua equipe base enquanto novos reforços chegavam ao clube e, enquanto isso, os “homens de confiança” de Oswaldo foram perdendo espaço, até mesmo no banco de reservas. O time “base” continuou com a maioria dos jogadores remanescentes do ano anterior, com apenas Roger Guedes e Ricardo Oliveira representando os reforços para 2018 como titulares absolutos.

Mesmo após as eliminações da Copa do Brasil, após duras partidas contra a Chapecoense, e na Copa Sul Americana com o time reserva, Larghi ia se fortalecendo no cargo e adaptando o modelo às peças do elenco. Já no Campeonato Brasileiro, o Galo terminou o período pré Copa do Mundo jogando bem, como vice colocado e na briga na parte de cima da tabela.

Resumidamente, o modelo de jogo do Galo se baseia na posse de bola para ter o controle da partida, com a jogada sendo trabalhada desde o goleiro Victor pelo chão, com pouco jogo direto. A progressão no campo, na maioria das vezes, é através de associações pelas beiradas. A formação no 4-1-4-1 facilita a aproximação dos laterais com os meias internos, fazendo com que a bola chegue com facilidade para o externo do mesmo lado. No ataque, Roger Guedes se destacou com a sua individualidade e pela sua qualidade nas finalizações.

Roger Guedes foi destaque antes da Copa do Mundo (Foto por: Bruno Cantini / Atlético)

A surpresa com o bom trabalho de Larghi fez a diretoria atleticana apostar nele como treinador do time e o efetivou no cargo, mesmo com alguns erros, normais para quem está no cargo a pouco tempo. O Galo tinha tudo pronto para se reforçar pontualmente e poder brigar pelas primeiras posições. Veja o último time titular utilizado por Larghi no período pré copa:

Victor, Patric, Bremer, Gabriel, Fábio Santos, Adilson (Yago), Gustavo Blanco (Elias), Tomás Andrade, Cazares (Luan), Róger Guedes e Ricardo Oliveira.

Foram 6 jogadores diferentes dos que foram utilizados por Oswaldo na sua última partida e durante sua pré temporada no comando alvinegro.


Pós copa: Formação de um novo time

A parada para a Copa do Mundo não foi nada boa para o Galo. Roger Guedes foi para a China, Gustavo Blanco lesionou seriamente o joelho e Adílson também machucou. Ou seja, logo de cara, o time perdia três de seus melhores jogadores e titulares absolutos. Muito da intensidade da equipe passava por Blanco e Adílson, atletas importantíssimos no momento defensivo. Já Roger Guedes saiu como artilheiro do campeonato, sendo o jogador mais decisivo do Atlético.

A zaga sofreu a perda de Bremer, vendido para o Torino. O jovem zagueiro havia agregado bastante qualidade no sistema defensivo após uma fase ruim da zaga no período pré copa.

Visando continuar nas primeiras posições da tabela, o diretor de futebol Alexandre Gallo começou a se movimentar para conseguir novos reforços para suprir as perdas no elenco. Nesse momento, outra reconstrução se iniciava em 2018, em plena intertemporada. O período da copa, que seria importante para adaptações e melhorias na equipe, acabou sendo praticamente perdido.

Larghi optou por manter o modelo de jogo, fazendo as peças se adaptarem ao que ele já vinha colocando em prática na intertemporada. Reforços como o colombiano Yimmi Chará e Zé Welison logo assumiram as vagas de Roger Guedes e Adílson, respectivamente. Outros jogadores que também chegaram nesse período: Nathan, Terans, Denílson, Edinho e Leandrinho. Logo depois o uruguaio Martín Rea também foi contratado para a zaga.

Yimmi Chará contra o Botafogo (Foto por: Bruno Cantini / Atlético)

Como esses reforços iriam se adaptar às ideias de jogo já implementadas na equipe? Como iriam render melhor? Com todo o tempo da intertemporada já perdido e sem jogos do Campeonato Mineiro ou das fases iniciais da Copa do Brasil para fazer testes, Larghi teve apenas os treinamentos entre as partidas do Brasileirão para observar os jogadores.

O time foi ganhando forma, mas mesmo após testar várias escalações com as novas contratações, a equipe titular ainda não está definida e oscilou muito nas nove rodadas após a parada da copa e caiu para o 6º lugar. Edinho foi testado, mas machucou, Terans entrou em algumas partidas, Nathan jogou como titular e não rendeu e Denílson também entrou em alguns jogos mas não conseguiu agregar.

Contra o Corinthians sábado, provavelmente apenas Zé Welison e Yimmi Chará representarão os reforços recentes no time titular. Jogadores com mais tempo de clube como Luan e Cazares voltaram aos poucos a ocupar espaços na equipe. Será mais um teste de Larghi para definir o melhor encaixe para a equipe após a nova reconstrução. Provável equipe que enfrentará o Corinthians com um novo esquema no 4-2-3-1:

Victor, Emerson, Leonardo Silva, Maidana, Fábio Santos, Adilson, José Welison, Cazares, Luan, Yimmi Chará e Ricardo Oliveira.

São 6 jogadores diferentes da última equipe titular antes da parada para da Copa.


Balanço de chegadas e saídas no Atlético

Como vimos, o Galo passou por três reconstruções de equipe apenas esse ano. Veja agora, em números, alguns dados sobre o elenco alvinegro e reflita: qual deveria ser a expectativa real após todas essas mudanças?

Dos 22 jogadores que chegaram ou retornaram de empréstimo para serem utilizados em 2018, 8 já deixaram o clube. Só 2 jogadores ainda não atuaram: Leandrinho e Martín Rea.

Perceba que a base do elenco que permaneceu no clube desde o final do ano passado continua sendo a parte que mais joga, ou seja, a maioria dos reforços atuou pouco em 2018, com exceção a Ricardo Oliveira, segundo jogador que mais atuou em 2018.

Com o vai e vem de jogadores e troca de técnicos é cada vez mais difícil implementar um modelo de jogo funcional e que faça os jogadores se encaixarem. Isso sem falar na adaptação ao clube, ao futebol brasileiro (no caso dos estrangeiros) e também da idade baixa da maioria dos reforços. Como o elenco ficou mais jovem com as contratações, é mais difícil ainda todos esses fatores não influenciarem na qualidade de jogo do time. Não é à toa que Chará, com 27 anos, se adaptou muito mais rápido ao time.

Outra questão também surge sobre as contratações. Esses jogadores têm potencial para agregar qualidade ao elenco base?

Na minha opinião, Larghi ainda vai precisar de um tempo para conseguir mesclar o time base, que tem a maioria dos minutos jogados em 2018, com os jogadores contratados. Ainda haverá muitos testes, até encontrar a melhor versão de cada atleta dentro do modelo de jogo, isso se encontrar. Por todas as mudanças citadas aqui nesse texto, acredito que classificar para a libertadores está dentro das expectativas para 2018.

Se é certo ou errado o que o clube está fazendo, é outra discussão, bem mais complexa. Por mais que os dirigentes digam outra coisa, é praticamente impossível uma disputa de título com tantas modificações em um só ano. A esperança fica para 2019.


Agradecimento especial ao Fael Lima (https://twitter.com/faelslim) que ajudou com as planilhas das chegadas e saídas na temporada 2018.


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