Análise: Galo x Santos – Problemas na criação? Chama o Cazares!

Por: Lucas Silva e Rodrigo Campos

Foto por: Bruno Cantini / Atlético


Galo 3 x 1 Santos

Em jogo válido pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Atlético venceu o Santos por 3 a 1 no horto. Em um domingo quente em Belo Horizonte, a equipe conseguiu superar um primeiro tempo ruim e decidiu a partida na segunda etapa com dois gols de Ricardo Oliveira contra seu ex time. Ainda tentando encontrar o time titular depois das saídas de atletas e lesões, Larghi encontrou a solução para partida no banco de reservas, onde estavam Luan e Cazares, que deram outra cara para o setor de criação do time. Destaque também para a boa partida de Elias.


1º Tempo: Mesmo modelo de jogo com diferentes peças

O primeiro tempo mostrou o Galo com o mesmo modelo de jogo, definido no 4-1-4-1. Mesmo com a entrada de Tomás Andrade e Nathan o modelo propositivo foi mantido. O meia, ex-Chelsea, foi responsável pela saída de bola próximo aos zagueiros e laterais, já Tomás Andrade era o ponta pelo lado esquerdo.

Formações iniciais (Galo no 4-1-4-1)

No primeiro gol foi nítida a presença de três jogadores no lado esquerdo sufocando a saída santista e permitindo ao meia argentino roubar a bola, progredir e ter uma boa visão de jogo em um passe no espaço à frente da zaga santista, bem ocupado por Elias, resultando no chute para abrir o placar.

Nota-se que o Galo recuou as linhas bem próximas ao gol com Larghi abandonando a estratégia de usar a linha defensiva mais próxima do meio-campo. Provavelmente, tal medida tem a ver com a estatura dos zagueiros Leonardo Silva e Iago Maidana, pois com o meio congestionado com três jogadores marcando, a tendência do rival é buscar um jogo pelas laterais e acabar cruzando a bola na área onde Gabigol, Rodrygo e Bruno Henrique não superam a estatura dos laterais e zagueiros atleticanos da partida contra o Santos. Léo Silva e Maidana ganharam todas as disputas aéreas tentadas.

Duelos Aéreos – Léo Silva e Maidana ganharam todas as disputas pelo alto

Uma das piores defesas do campeonato esteve contra um dos melhores atacantes do país, Rodrygo, e era nítido o cuidado dos jogadores na marcação de um jogador com muito talento. No geral, o desempenho foi bom, mas no gol santista novamente falhas individuais e coletivas voltaram a acontecer.

Primeiramente, como dito acima, um cruzamento contra a alta linha defensiva do Galo provavelmente não geraria perigo e neste pequeno detalhe, Zé Welison errou ao marcar o cruzamento e não o drible do jovem santista.

Zé Welison erra ao fechar o cruzamento

Quando o volante é driblado, gera a cobertura de quatro defensores sobre Rodrygo deixando Emerson praticamente sozinho para marcar Gabigol e Bruno Henrique. Então, o chute é bloqueado e sobra na esquerda para Bruno Henrique servir Gabigol livre dentro da área. A lentidão na cobertura de Leonardo Silva para marcar Gabriel foi outro erro mostrando novamente como o capitão já não consegue ser o mesmo zagueiro de outras temporadas.

Cobertura de 4 defensores, deixando apenas Emerson no setor de Bruno Henrique e Gabriel

Após o gol, o time volta a buscar propor o jogo e a primeira etapa termina com Nathan, Tomás Andrade e Chará não conseguindo criar boas chances. O Santos conseguia anular as principais peças criativas e o time se limitou a ter um Elias em ótima partida para buscar criar algo. Assim, a primeira etapa terminou e Larghi buscou, na entrada de Cazares, melhorar a criação.


Entrada de Luan e Cazares e redefinição de funções com melhora de todo sistema ofensivo

Nathan, ainda sem ritmo, não conseguia participar efetivamente da construção. Com a entrada de Cazares, foi deslocado para ocupar o espaço na ponta esquerda. O time ainda precisava de alguns ajustes. Então, com a entrada de Luan, o sistema ofensivo melhorou e o time passou a dominar a partida.

Formação atleticana após as modificações de Larghi

Com Cazares participando da saída de bola junto a Zé Welison e também chegando ao ataque para acionar Chará, Luan e Elias, o time cresceu em campo. Chará passou a acertar mais suas tabelas e dribles pela esquerda e Luan se tornou um ótimo complemento a Elias e Emerson pelo lado direito. Além disso, os laterais começaram a ter mais protagonismo, principalmente Emerson, e o time passou a criar tanto pela direita quanto na esquerda. Também com a entrada de Luan e sua boa marcação o time passou a sofrer menos contra ataques e encurralar o Santos no seu campo defensivo. Na entrada de Luan, pode se ouvir Larghi pela transmissão, orientando Luan para se posicionar impedindo contra ataques do Santos.

Através de uma boa jogada individual e um cruzamento certeiro com bom cabeceio de Ricardo Oliveira o time chegou ao segundo gol. Mesmo com toda irregularidade, Cazares é o jogador mais criativo do elenco liderando estatísticas importantes como passes certos para o último terço, passes certos para frente e o xA (índice mostrando a expectativa do jogador em realizar uma assistência). A partida de ontem provou a dependência do time no equatoriano e sua permanência se mostra importante para a permanência do clube no G-6.

Passes de Cazares na partida, distribuindo o jogo

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Boa partida dos laterais

Emerson e Carlos Gabriel são jogadores bem jovens e é normal que oscilem durante as partidas, mas a partida de ambos contra o Santos foi bem segura, defendendo e atacando. Emerson foi o defensor com mais duelos defensivos vencidos (4 de 12) com Carlos Gabriel também indo bem vencendo 3 de 10 duelos, sendo cruciais para impedir os bons pontas santistas de iniciarem perigosos contra-ataques. Nas interceptações, Emerson executou 5 e Carlos Gabriel 4, veja abaixo:

Duelos defensivos – Emerson 12 (33% vencidos) e C. Gabriel 10 (30% vencidos) (Wyscout)

Interceptações – Emerson 5 e C. Gabriel 4 (Wyscout)

Emerson é um lateral de ótimo vigor físico podendo ir e voltar com facilidade pelo corredor direito. Sua estatura permite ir bem nas bolas aéreas defensivas e também não o impede de ser veloz. Tem boa relação com a bola nos dribles, passes e cruzamentos se tornando um jogador de grande potencial e que deve amadurecer com o passar dos jogos.

Já Carlos Gabriel é um jogador recém promovido da base e mostrou ser uma boa aposta. Também é um lateral alto e de bom físico, mas é mais lento que Emerson buscando no passe um refugo para criar jogadas ofensivas no lado esquerdo. Seu cruzamento é bom e como o clube não está tão bem economicamente é bem melhor apostar em um lateral da base já identificado com o clube do que uma outra aposta para ser reserva de Fábio Santos.


O melhor jogador em campo

Elias nunca correspondeu às expectativas no Galo e isso é inegável. Com idade já avançada não consegue chegar na área e defender com o mesmo vigor físico e Larghi o tem usado cada vez mais sem grandes obrigações defensivas para poder aproveitar sua boa chegada na área, porém seus jogos foram ruins e fisicamente estava abaixo.

Elias foi o autor do primeiro gol (Foto: Bruno Cantini / Atlético)

Felizmente, contra o Santos o meio-campo foi o melhor jogador da partida. Fez gol, foi importante na criação (líder em assistência para finalizações, com 4) e na finalização (segundo em chutes ao gol com 3) se mostrando um jogador poucas vezes visto pelo atleticano. Renova as esperanças da torcida em um jogador de potencial para melhorar o time pós-Copa e levar o time de volta a Libertadores.


Ficha Técnica

Partida: Atlético 3 x 1 Santos

Motivo: Campeonato Brasileiro, 18ª Rodada

Data: 12/08/2018

Horário: 11:00

Gols: Atlético: Elias (9′ 1ºT), Ricardo Oliveira (25′ 2ºT e 48′ 2ºT); Santos: Gabriel (25′ 1ºT).

Cartões: Atlético: Maidana e Elias.

Atlético: Victor; Emerson, Léo Silva, Iago Maidana e Hulk; José Welison, Elias (Matheus Galdezani) e Nathan (Luan); Yimmi Chará, Tomás Andrade (Cazares) e Ricardo Oliveira.
Técnico: Thiago Larghi.

Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, Luiz Felipe, Lucas Veríssimo e Dodô; Alison (Yuri Alberto), Jean Mota (Diego Pituca) e Léo Cittadini; Rodrygo, Bruno Henrique (Copete) e Gabriel.
Técnico: Cuca.


Estatísticas da Partida


As estatísticas da partida em outra perspectiva


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