Análise – Os adversários do Galo na Libertadores: Nacional

Por: Douglas Borges

Contexto

Tricampeão da Libertadores, o Nacional de Montevideo, certamente, é o time mais conhecido pelos atleticanos no grupo. Porém, com as receitas do futebol uruguaio sendo bastante inferiores mesmo dentro do cenário sul-americano, o Bolso (como é conhecido) está longe de viver as glórias do passado, mas também está longe de ser o fraco time que perdeu de 4 em 2009 do Cruzeiro no Torneio de Verão.

Nacional foi campeão da Supercopa Uruguaya em janeiro

Campeão da Supercopa Uruguaya em janeiro deste ano, o Nacional possui alguns jogadores conhecidos pela torcida atleticana. O primeiro é Álvaro Pereira, o lateral que já jogou na Inter de Milão, Porto, Estudiantes e São Paulo esteve também na memorável seleção uruguaia da Copa do Mundo de 2010 e no título da Copa América de 2011. Outro destaque é Joaquin Arzura, o volante era um dos pilares do River Plate campeão da América em 2015. Também é valido citar Angeleri, o zagueiro fazia parte do San Lorenzo que eliminou o Galo da Copa Sulamericana de 2018, e Lorenzetti, campeão da Sulamericana com a Universidad de Chile sendo especulado no Cruzeiro na época. Outros nomes certamente irão aparecer no futuro, casos de Carballo (que pertence ao Sevilla, mas está emprestado ao Bolso), Brian Ocampo e Santiago Rodriguez, que são grandes promessas do futebol uruguaio – os dois últimos convocados pela seleção sub-20 na semana passada.

O treinador do Nacional é Eduardo Dominguez, genro de ninguém menos que Bianchi, o treinador 4 vezes campeão da Libertadores e do mundial, quando fez o galáctico Real Madrid parecer um time de pelada. Apesar de ter começado sua carreira como jogador sob o comando de outro lendário técnico argentino, Marcelo Bielsa, não lembra em nada o estilo ofensivo de ambos os treinadores. Em 2018, comandando o Colón da Argentina, eliminou o São Paulo de Aguirre, até então líder do brasileiro, da Copa Sul-americana.

Análise

Após um inicio ruim no campeonato uruguaio, o Nacional bateu o Zamora na Venezuela, tendo uma atuação tranquila. O time tem como base o 3-5-2 e seus jogadores respeitam bastante suas posições, exceto a dupla de ataque que possui liberdade pra se movimentar.

Sem a bola, o time se defende em 5-3-2, com os alas se juntando aos zagueiros, porém em momentos de maior pressão, o atacante de velocidade, Santiago Rodriguez, se junta a defesa formando um 5-4-1. O time usa uma marcação mista entre zona e individual, porém com longas perseguições ao jogador que estiverem marcando e o defensor mais próximo do portador da bola sempre pressionando-o enquanto o resto da defesa compensa esse movimento dando cobertura. O zagueiro central, Rafael Garcia, joga atrás da linha de defesa como um líbero, seja na fase defensiva, seja enquanto o time está atacando. O time usa um bloco baixo, se postando em frente a área e não tenta fazer pressão alta.

Ofensivamente o Nacional utiliza um jogo direto e vertical com bolas longas para o centroavante Bergessio fazer pivô ou para usar o segundo atacante Santiago Rodriguez em velocidade. Normalmente a equipe ataca pelos lados, já que ambos os alas abrem o campo dando a conhecida amplitude, usando os jogadores que se posicionam naquele lado e então tentando entrar na área. Neste momento, é importantíssima a atuação da dupla de meias mais ofensivos, que chegam na área de forma mais “atrasada” aproveitando o espaço entre a zaga e os meias adversários que estão recuando. Neste movimento, costuma aparecer também a figura de Zunino, o ala direito que chegou a ser usado como ponta pelo treinador anterior, Alexandre “cacique” Medina, pela sua qualidade em atacar a área e finalizar.

Com a bola, também é importante o uso dos zagueiros laterais, que avançam no campo, com a cobertura do líbero Garcia, participando da criação de jogadas. Garcia é importante também para realizar os lançamentos do time, sendo o principal responsável por essa função. Na linha de meias, Arzura se posiciona mais recuado para proteger a linha de zaga e dar cobertura a Carballo e Chori Castro que avançam e se aproximam da área, o primeiro se destaca também armando jogadas pela direita, enquanto o segundo possui mais velocidade, atuando pela esquerda e sendo bastante participativo em contra-ataques. Sant’Anna (ala esquerdo), por sua vez, é mais criativo, chegando pouco na área pra finalizar.

Quando perde a bola, o time uruguaio não pressiona, porém mantem os jogadores mais avançados “mais altos” no campo, visando atrasar o contra-ataque adversário para que a defesa se recomponha. Entretanto, quando o adversário faz a saída de bola, o time avança suas linhas para obrigar o uso do jogo direto e poder recuperar a bola ganhando a disputa física pela bola aérea com seus Zagueiros e Arzura (primeiro volante).

De forma mais específica, o time é montado no esquema 3-1-4-2. Quanto aos atacantes, apesar de Bergessio também se movimentar bastante, muitas vezes saindo do papel de centro-avante apertando a linha de zaga, é o jovem de 19 anos, Santiago Rodriguez, quem é o melhor jogador da equipe. Com muita velocidade e habilidade, além de drible, é essencial nos contra-ataques e mesmo novo consegue vencer muitos duelos físicos contra zagueiros. Outros jogadores que costumam aparecer são Álvaro Pereira como ala esquerdo, Cardaccio e Lorenzetti como meias de velocidade e ruptura no lugar de Castro, além de Sebastian Fernandez e de Octávio Rivero como centro-avantes oferecendo pivô. Brian Ocampo pode surgir para oferecer mais velocidade e drible ao ataque. Apesar dessas possibilidades dentro do elenco, Eduardo Dominguez sempre mantem o mesmo estilo de jogo e a mesma formação.

Formação do Nacional

Pontos fortes:

• Defendendo em frente a área é um time muito sólido para negar espaços ao adversário;
• Consegue chegar com perigo ao contra-atacar pelos lados cruzando rasteiro para um “elemento surpresa” desmarcado;
• Time, em geral, é forte fisicamente.

Pontos fracos:

• Dificuldade em criar contra times mais fechados;
• As laterais são pontos fracos defensivamente já que os jogadores não são exímios marcadores e são zonas expostas quando contra-atacadas.

Levir Culpi comandou treino em Montevidéu (Foto: Bruno Cantini / Atlético)

Sobre Atlético x Nacional:

• Nacional não tentará propor o jogo e irá aproveitar as oportunidades para o seu característico jogo direto;
• Grand Parque Central estará lotado e a torcida do Bolso é muito vibrante;
• Atlético deveria tentar explorar os lados com velocidade, mas caso Levir repita a escalação com Elias como meia pelos lados, então, o drible de Chará pelas laterais fará falta;
• Garcia como líbero pode dificultar que Ricardo Oliveira consiga infiltrar com qualidade nas costas da zaga;
• Zé Welison precisa de atenção para cobrir a frente da zaga e caso esse espaço estiver vazio, como era com Elias e Adilson de volantes, o time pode sofrer;
• Zunino irá atacar contra Fábio Santos e Santiago Rodriguez deve explorar a lentidão de Rever e as costas de Patric;
• Assim como contra o Cerro, os contra-ataques podem ser o grande problema do time, principalmente a partir dos lançamentos do líbero Garcia.

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