Análise: Grêmio x Galo – A busca por uma nova identidade

Por: Lucas Silva e Rodrigo Campos

Foto por: Bruno Cantini / Atlético


A busca por uma nova identidade

O Galo viajou para enfrentar o Grêmio pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro e trouxe, não só a derrota, mas também várias interrogações na bagagem. Não que fosse inesperada a derrota, já que o adversário era um forte Grêmio, campeão da libertadores, com a única de baixa de Arthur, que foi para o Barcelona. O que mais intrigou o torcedor alvinegro foi o desempenho da equipe, que foi abaixo do esperado, mesmo considerando as significativas modificações no time.

Era dúvida e agora é certeza. O Galo irá sentir, e muito, as perdas de jogadores até o fim da temporada. Não só pela qualidade individual mas também pela “quebra” do modelo que vinha dando certo antes da parada para a Copa. A construção de um modelo de jogo sempre irá passar pela extração do máximo de qualidade de cada atleta dentro do coletivo da equipe, e era o que vinha dando certo, seja com Roger Guedes e sua facilidade perto do gol ou com Blanco e sua intensidade na fase defensiva.

Larghi busca uma nova identidade para a equipe, infelizmente, no meio da temporada. Provavelmente irão acontecer atuações como essa até que os jogadores se adaptem a um modelo diferente do primeiro semestre. Abaixo estará uma análise sobre as particularidades do jogo divididas em quatro partes consideradas as mais influentes no resultado sendo pautadas pelas estratégias de ambas equipes.


4321: A estratégia para enfrentar o Grêmio

Virou tendência mundial após a Copa e a final entre Liverpool e Real Madrid na Liga dos Campeões ver equipes defendendo com um jogador a menos para ter um integrante a mais no contra-ataque. Logicamente esse método deixa a defesa mais vulnerável necessitando de jogadores de bom físico e marcação como Henderson, Milner e Ox-Chamberlain no Liverpool ou Modric, Casemiro e Kroos no Real Madrid.

Larghi, ao encarar o Grêmio, sabia da boa saída de bola exercida por Maicon e Cícero, então, usou Chará e Edinho para marcarem os volantes gremistas e contra-atacarem nas costas deles com Ricardo Oliveira entre os zagueiros. O restante do time marcava em um 4-3 (quatro defensores e a trinca do meio-campo) com Luan, Zé Welisson e Elias movimentando de acordo com a bola para não deixar o Grêmio ficar em superioridade numérica já que o Galo marcava com um a menos.

Como o time marcava em um 4321 a proteção ao miolo (área central na área defensiva) aumentava com o Grêmio sendo obrigado a jogar pelas laterais onde o tripé de meio-campo do Galo movimentava para não deixar os laterais atleticanos sofrerem para marcar o lateral e o ponta gremistas.

4-3-2-1: Flutuação para o setor da bola

4-3-2-1: Linhas (Imagem: Globo)

Infelizmente a ideia ainda carece de mais entrosamento nas movimentações e o time sofreu além do esperado. Também, como o time defendia com um a menos, várias marcações seriam com pouca ou nenhuma cobertura e isso exige defensores de melhor qualidade para marcações no mano a mano.

Grêmio: Posse de bola pela lateral do campo (Footstats)


Maicon: Leitura de espaços e infiltração

Maicon é um meio-campista completo pois marca, passa, movimenta e lê os espaços com qualidade e com certeza está na prateleira de topo quando falamos sobre os volantes atuando no Brasil.

Como já dito, o Grêmio jogou bastante pelas laterais e quando a bola chegava no lado direito gremista quem encostava para marcar o meia-direita Ramiro e Léo Moura eram Fábio Santos e Luan, deixando Zé Welisson cobrindo os dois e de olho no Luan gremista. Porém, Juninho e Gabriel ficavam para cuidar do miolo na área e deixavam um espaço onde Maicon, o elemento surpresa, sabia ler e infiltrar.

Maicon: Infiltração e superioridade numérica no setor (3×2) (Imagem: Globo)

Maicon sabia que estava sem marcação e caso algum marcador saísse para marca-lo deixava espaço em outro setor onde o time gremista soube aproveitar, ou seja, nessas jogadas o time estava em inferioridade numérica no setor da bola. Portanto faltou uma melhor coordenação nos movimentos para impedir o volante gremista de aparecer livre como por exemplo um apoio de Chara para igualar numericamente na marcação e liberar Welisson ou Luan para encaixarem em Maicon.


Lesão de Edinho, entrada de Denilson e mudança para o 4-4-1-1

É fato que o Galo sofreu já que o Grêmio marcava sufocando a saída de bola alvinegra deixando a nossa defesa cansada pois não segurávamos a bola no ataque. Porém, essa asfixia gremista diminuiu após os 20 minutos do primeiro tempo e Edinho começava a ser uma válvula de escape eficiente com seus dribles. Infelizmente, neste momento onde o Galo começava a ganhar campo e incomodar o rival ocorreu a lesão de Edinho e a entrada do atacante Denilson.

Com a entrada de Denilson, o time se comportou em um 4-4-1-1 com Elias e Zé Welisson como volantes, Luan e Chara abertos com o jovem atacante atrás de Ricardo Oliveira. Essa dupla mudança (esquema e substituição) foi péssima e dali em diante o Galo não conseguiu organizar seus contra-ataques e sua defesa.

Formação inicial (4-1-4-1) na esquerda e formação após alteração (4-4-1-1) na direita

Defensivamente, Largui buscou proteger as laterais sem exigir do tripé de meias uma movimentação constante para o setor da bola descansando mais o time e Denilson vigiava Maicon somente na saída de bola gremista, ou seja, mais equilíbrio e menos flutuação (princípios estruturais defensivos).

Entretanto, a equipe continou sofrendo defensivamente. Elias tem claros problemas para marcar desde 2017 e o jogo apenas serviu como comprovação sobrecarregando Zé Welisson na marcação de um setor chave como a entrada da área.

E outro problema evidente foi a entrada de Denilson para exercer uma função diferente de suas características. O atacante ficava esperando uma roubada de bola para ser a conexão da defesa para os contragolpes, porém não tinha a técnica necessária para encontrar um passe, para tabelar com Ricardo Oliveira ou segurar a bola até os pontas chegarem. Outro problema em se marcar com duas linhas de quatro é a distância a ser percorrida pelos pontas para conseguirem contra-atacar já que precisam auxiliar os laterais na marcação. Portanto, Denilson ficava centralizado como peça-chave da equipe exercendo uma função totalmente fora de suas características.


Bola parada: Um pesadelo para Larghi

Os dois gols do Grêmio tiveram origem da bola parada, que vem atormentando a equipe alvinegra nessa temporada. O elevado número de gols levados dessa maneira, cria, com certeza, uma dor de cabeça em Thiago Larghi, que deve resolver esse problema urgentemente.

Será o problema a marcação zonal nos escanteios e faltas? Será que a marcação individual seria melhor? Não se sabe. Fato que a marcação individual exige qualidade na marcação e força física, o que é uma carência da zaga da equipe.


Ficha Técnica

Partida: Grêmio 2 x 0 Atlético MG

Motivo: Campeonato Brasileiro, 13ª Rodada

Data: 18/07/2018

Horário: 21:45

Gols: Bressan (Grêmio) aos 52′ e André (Grêmio) aos 59′.

Cartões Amarelos: Gabriel (Atlético) aos 40′, Maicon (Grêmio) aos 56′ e Elias (Atlético) aos 66′.

Atlético MG: Victor; Patric, Gabriel, Juninho e Fábio Santos; José Welison, Elias, Chará (Terans), Luan (Tomás Andrade) e Edinho (Denílson); Ricardo Oliveira. Técnico: Thiago Larghi 

Grêmio: Marcelo Grohe; Léo Moura (Marinho), Pedro Geromel, Bressan e Cortez; Maicon (Jaílson), Cícero, Ramiro, Luan e Éverton; André (Douglas). Técnico: Renato Portaluppi 


Estatísticas da Partida


As estatísticas da partida em outra perspectiva


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