Análise: Galo x Paraná – Lições para Larghi

Por: Lucas Silva e Rodrigo Campos

Foto por: Bruno Cantini / Atlético


De volta ao Horto

Depois de 42 dias o Galo voltou a jogar diante da massa e venceu o Paraná por 2 a 0. Foi a primeira vitória depois da parada para a Copa do Mundo, depois de enfrentar dois adversários duríssimos (Grêmio e Palmeiras) e perder os dois primeiros jogos. Mesmo sendo o 18º colocado, a vitória por 2 a 0 não veio com tranquilidade. Apesar do desempenho questionável, Larghi pode ter tirado importantes conclusões sobre as alterações do sistema tático durante a partida.


Proposição do jogo

Contra o Paraná vimos um primeiro tempo com o time atleticano dominando a partida através da posse de bola. Felizmente o Galo é um time com ideias bem claras desde a saída de bola até a chegada no último terço e, mesmo com jogadores ainda sem o entrosamento necessário, casos de Chara, Zé Welisson e Terans, a proposição de jogo foi eficaz durante a primeira etapa sendo beneficiada com o gol de Leonardo Silva no fim da primeira etapa. Então, iremos separar o sistema ofensivo em 3 tópicos logo abaixo e destrinchar os mecanismos ofensivos enquanto o time utilizou o 4-1-4-1.

1) Saída sustentada

Larghi utiliza uma saída de jogo mais preenchida, ou seja, com mais jogadores no campo defensivo. Além dos zagueiros e dos laterais, Zé Welisson inicia a saída de bola sempre próximo dos meias internos (contra o Paraná foram Tomas Andrade e Elias) criando linhas de passe para a rápida circulação da bola. Já os pontas e o centroavante seguram a última linha defensiva adversária.

Tomás Andrade presente na saída de bola (Imagem: Premiere)

A saída sustentada é utilizada pois, como é mais preenchida ao usar sete jogadores, atrai mais jogadores rivais para pressioná-la criando espaços para um ataque com jogadores rápidos – como Ricardo Oliveira, Chara, Elias e Tomas Andrade – utilizarem, ou seja, Larghi sabe das características de seus jogadores e as potencializa com uma estratégia. Futebol jogado de acordo com os jogadores disponíveis.

Outra consequência de se usar uma saída mais preenchida é ter mais jogadores próximos da defesa gerando maior segurança defensiva caso o time perca a bola quando o rival subir a marcação. Portanto, podemos concluir ser também uma posse de bola defensiva.

2) Conexão meio de campo para último terço

Após realizar a saída sustentada e conseguir êxito em superar a primeira linha de marcação rival o time possui duas alternativas. A primeira, e menos utilizada porque a marcação do Paraná foi eficiente, era acelerar a bola rapidamente com Chara, Terans e Ricardo Oliveira quando os espaços existiam.

Já a segunda e mais utilizada, foi quando o time via poucos espaços e precisava chegar com mais paciência e menos verticalização ao último terço. Assim, Larghi utiliza duas trincas ofensivas (já existentes pela disposição do esquema 4-1-4-1) entre volantes, laterais e pontas para sair pelas laterais. O time se posiciona com essa trinca agrupando na lateral para gerar triângulos de passe a fim de progredir no campo rival (com sempre um dos jogadores gerando amplitude) e o ponta do lado oposto bem aberto para criar amplitude no lado oposto, já o outro volante fora da jogada avançava para chegar na área caso a bola progredisse, com Ricardo Oliveira a fim de criar opção numa bola em profundidade ou realizar o pivô.

A fim de gerar mais segurança defensiva, o lateral do lado oposto não participa da jogada e se torna um terceiro zagueiro com Zé Welison a frente desse novo trio defensivo. Outra função do quarteto defensivo é virar a bola para o lado oposto caso o lado onde está a bola não obtenha sucesso na progressão e, consequentemente, gerando os mesmos mecanismos só que do outro lado.

3) Chegada no último terço

Quando o time consegue progredir e chegar mais próximo do gol, os mecanismos ofensivos já se alteram. Elias e Ricardo Oliveira ficam mais próximos do gol a fim de gerar uma infiltração ou opção para o pivô, a trinca ofensiva pelos lados se mantém e agora busca um espaço nas costas dos laterais para chegar na área.

A estrutura de proteção com o lateral do lado oposto tornando-se um terceiro zagueiro e Zé Welisson a frente do trio se mantém, porém, agora o ponta do lado oposto não fica restrito a gerar amplitude e fica mais próximo da jogada para finalizar dentro da área ou circular a bola como um meia atrás de Elias e Ricardo Oliveira a fim de manter a posse ou inverter a jogada para o lateral do lado oposto sair de sua função mais defensiva e chegar na linha de fundo.

Também é importante frisar a liberdade de movimentação para os jogadores mais criativos do time sendo possível observar Terans, Chara, Tomas Andrade e Ricardo Oliveira movimentando pelas faixas laterais e pelo meio. O jogador sul-americano tem gosto pela liberdade e sente-se bem quando o técnico permite que tenha liberdade.


Frustração no 4231

É fato que o Galo teve dificuldades para propor o jogo contra o Paraná. Tomas Andrade, mostrando personalidade e sendo muito acionado, não conseguia acertar os passes mais verticais para o Galo chegar próximo do gol rival, mesmo sendo um dos melhores jogadores em campo pela entrega no perde-pressiona e conseguindo circular bem a bola.

Formação inicial no 4-1-4-1

A fim de verticalizar mais o jogo e tentar chegar próximo ao gol, Larghi mudou do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1 com Tomas Andrade na ponta esquerda e Terans mais centralizado. A proposta foi deixar os jogadores mais cômodos em posições onde melhor rendem pelas suas características e assim potencializar o time ofensivamente. Por exemplo, o meia argentino rende mais aberto porque no meio sofre pelo físico franzino e pela lentidão em tomar as decisões.

Outro ponto a se ressaltar, é que, com Tomás Andrade na ponta, Larghi desmonta a idéia inicial de uma saída mais sustentada, já que Elias não participa tanto da saída de bola. Talvez a primeira lição de Larghi na partida.

Alteração do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1

Com o Paraná praticando uma marcação de alta intensidade era lógico pensar em uma marcação mais frouxa pelo cansaço de alguns jogadores e por volta dos trinta minutos os espaços começaram a aparecer. O gol saiu após Chará roubar bem a bola em um perde-pressiona e sofrer a falta. O uruguaio, com uma ótima batida, joga na cabeça de Léo Silva que, livre, faz o gol.

O esquema com Zé Welison atrás da linha de meio campistas, facilita a marcação quando um dos pontas não consegue recompor, já que ele tem liberdade para flutuar entre as linhas em direção ao setor da bola. Sem esse homem atrás da segunda linha, os pontas devem sempre estar atentos para recompor e não desequilibrar o sistema defensivo. A demora para recomposição dos pontas e um Elias cada vez mais decadente na marcação da entrada da área pode ser um dos problemas que prejudicam o 4-2-3-1. No segundo tempo isso refletiu em várias chances criadas pelo Paraná com o Galo sem saída para os contra-ataques. Outra provável lição de Larghi.


Variação utilizada também contra o Palmeiras: 4-4-2 com Elias a frente.

Com Elias cada vez menos efetivo na marcação e Zé Welisson sobrecarregado em cobrir os pontas foi a vez de Larghi entrar com mais um volante de força física e boa marcação para liberar Elias em um 4-4-2 em linha. A entrada de Lucas Cândido permitiu mais liberdade aos pontas e melhor marcação na entrada da área obrigando o Paraná a jogar mais pelas laterais apelando para cruzamentos contra uma zaga alta e boa no jogo aéreo formada por Leonardo Silva e Iago Maidana.

Fim do jogo no 4-4-2 com Elias na frente

Outro fator importante para defender em duas linhas de quatro é a mudança no posicionamento de Tomas Andrade, e depois Bruninho, onde fica mais fácil marcar não comprometendo a marcação na entrada da área – setor vital para uma boa marcação. Larghi fez exatamente a mesma mudança que Tite usou para dominar o México pela Copa do Mundo liberando Coutinho pela esquerda e protegendo o miolo com Paulinho e Casemiro.

Aliás, defender dessa maneira não é novidade e Larghi usa essa estratégia desde antes da parada da Copa do Mundo pois sabe as virtudes do time quando propõe o jogo no 4-1-4-1, porém conhece as deficiências desse sistema na marcação próxima a área alvinegra resultando em vários gols sofridos nesse Brasileiro.


O perde-pressiona cada vez mais importante

Foi através de um bom perde-pressiona que Chará conseguiu a falta que resultou no primeiro gol atleticano. Foi um fator crucial para o time não sofrer contra-ataques com todos os meias bem ativos nessa estratégia dobrando, e até triplicando, a marcação sobre o portador da bola impedindo o Paraná de executar sua proposta reativa centrada nos passes do meia Caio Henrique.

Perde pressiona no campo ofensivo

Das 50 tentativas de recuperação de bola através de divididas, 16 foram o campo ofensivo (Who Scored)


Ficha Técnica

Partida: Atlético MG 2 x 0 Paraná

Motivo: Campeonato Brasileiro, 15ª Rodada

Data: 25/07/2018

Horário: 21:00

Gols: Leonardo Silva (Atlético) aos 40′ e Elias (Atlético) aos 73′.

Cartões Amarelos: Leonardo Silva (Atlético) aos 40′ e Nadson (Paraná) aos 90′.

Cartões Vermelhos: Lucas Cândido (Atlético) aos 80′.

Atlético MG: Victor; Patric, Leonardo Silva, Iago Maidana e Fábio Santos (Carlos Gabriel); José Welison, Elias, Tomás Andrade (Lucas Cândido), Chará e David Terans (Bruno Roberto); Ricardo Oliveira. Técnico: Thiago Larghi .

Paraná: Thiago Rodrigues; Júnior Gomes, Cléber Reis, Renê Santos e Mansur; Leandro Vilela (Jorge Gonzalez), Caio Henrique (Carlos Eduardo), Alex Santana (Raphael Alemão), Rodolfo e Silvinho; Nadson. Técnico: Rogério Micale. 


Estatísticas da Partida


As estatísticas da partida em outra perspectiva


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