Análise: Galo 3 x 1 Atlético PR – Efetividade e contra-ataque

Por: Lucas Silva e Rodrigo Campos

Foto por: Bruno Cantini / Atlético


Atlético 3 x 1 Atlético PR

Noite de vitória no Horto! O Atlético recebeu o Atlético Paranaense em casa e venceu por 3 a 1. A vitória deixa o Galo a 8 pontos do sétimo colocado, consolidando sua disputa por uma vaga na Libertadores. A partida não foi fácil, apesar da pressão sofrida nos primeiros minutos do segundo tempo, o Atlético aproveitou bem as jogadas rápidas em transição, foi efetivo e venceu a partida.

Formações iniciais


Primeiro tempo: Estratégias para dificultar a saída de bola

É necessário contextualizar a herança de Fernando Diniz do bom toque de bola e associação dos jogadores do Atlético-PR para compreender como Tiago Nunes usou esse trunfo para criar um time competitivo, ajustado com maior verticalidade e uma marcação mais agressiva.

Bom, dito isso, a postura do rival foi de pressionar a saída de bola do Galo permitindo, ao usar o 4-2-3-1, encaixar no 4-1-4-1 (4-3-3) prejudicando a saída de bola deixando Adilson e Cazares pouco confortáveis para realizar a costumeira saída curta desde a defesa.

Do outro lado, o Atlético-PR costuma realizar sua saída ativando o goleiro Santos para criar superioridade numérica e, assim, atrair o rival para seu campo gerando espaços para atacar o rival com ataques rápidos. Portanto, a estratégia adotada por Larghi foi de não pressionar Santos e encaixar Luan, Ricardo Oliveira e Cazares nos zagueiros e volante rivais ao realizarem a saída de três, logo, os jogadores do Atlético-PR eram obrigados a rifar a bola.

Marcação da saída de bola adversária com Ricardo Oliveira, Cazares e Luan

Com os laterais espetados e concentração de vários jogadores pelo meio (Luan, Cazares, Adilson e Galdezani) o Galo tentava, quando saía da marcação alta, criar jogadas, mas sem sucesso. Porém, ficou claro a boa consciência defensiva do tripé no meio campo (Cazares, Galdezani e Adilson) sempre induzindo o rival para os lados do campo onde a marcação conseguia superioridade numérica para o desarme. Aliás, Cazares fez um trabalho sujo na primeira etapa bastante consistente por marcar a saída de três e também fechar as opções de passe no meio para realizar essa indução lateral.

Duelos defensivos concentrados mais do lado direito de ataque do Atlético PR (Wyscout)

As estratégias de marcação alta de ambas equipes, propiciaram um jogo direto com várias bolas longas, consequentemente, quando essa bola chegava em condições nos atacantes, eram criadas boas situações de gol para as duas equipes. Além dessas jogadas, as melhores chances na primeira etapa foram apenas através da bola parada.

Inclusive, a marcação defensiva mista utilizada por Larghi – com bloqueadores marcando individualmente e outros jogadores defendendo em zona – encontrou dificuldades com o rival concentrando jogadores de boa estatura na primeira trave, praticamente subutilizando a função dos bloqueadores, gerando assim, o primeiro gol da partida.

Também através de uma bola parada, o Galo chegou ao empate, mesmo que indiretamente. Após a zaga do Atlético-PR afastar a bola em um escanteio, Tomás Andrade tabelou muito bem com Fábio Santos e conseguiu acertar um lindo cruzamento para uma cabeçada potente de Leonardo Silva.

Léo Silva subiu de cabeça e marcou o gol de empate (Foto por: Bruno Cantini / Atlético)


Volta ruim do Galo após intervalo

Matheus Galdezani, que estava amarelado e que fazia uma partida ruim, saiu para a entrada de Elias. O Atlético pouco construía a partir do seu campo de defesa através de passes curtos, como manda o modelo, fazendo com que Larghi, provavelmente percebendo isso, abdicasse da posse optando por um jogo mais direto e rápido, com Elias nas transições e infiltrações na área. A alteração foi uma atitude corajosa do técnico, uma vez que a proteção da área na fase defensiva iria piorar, pois Galdezani é melhor protetor nessa faixa de campo que Elias.

O início da segunda etapa não foi nada animador para o time alvinegro. O Atlético Paranaense chegava muito forte pelo lado direito com Nikão e nas bolas paradas. Fábio Santos sofria na marcação, uma vez que, Tomás Andrade, por mais que tentasse algumas vezes, não conseguia ajudar nas jogadas com profundidade do adversário daquele lado.

Apesar da equipe paranaense ocupar o campo de ataque, o Galo não conseguia encaixar um contra-ataque ou ataque rápido de qualidade. Logo que retomava a bola, sofria logo o perde pressiona do adversário e se via forçado a tentar lançamentos para Ricardo Oliveira, que pouco contribui quando necessita fazer o pivô.


Ajuste das transições, o impulso da vitória

Depois dos 20 minutos iniciais da segunda etapa, o Galo foi se ajustando em campo e os espaços começaram a aparecer. As transições com Elias, Luan e Cazares começavam a funcionar. Em mais uma alteração, Larghi colocou o uruguaio David Terans no lugar de Tomás Andrade pela ponta esquerda, provavelmente para conter as investidas do adversário pelo lado direito, uma vez que Terans jogou mais recuado.

Posicionamento médio – Terans (55) mais recuado em relação a Tomás Andrade (8) (Wyscout)

Os ataques rápidos fluíam pelo lado direito, onde estavam Luan e Elias, que, através de ligações diretas ou até mesmo associações com rupturas, conseguiram armar boas jogadas por ali. Foi assim que saiu o segundo gol do Galo. Luan, pela direita, deu um belo passe para Elias que, infiltrando na área, dominou e acertou um belo chute no ângulo, sem chances para o goleiro. Luan foi destaque na criação, dando a assistência para Elias sendo responsável por mais 2 assistências para finalizações.

A estratégia de Larghi deu certo, Elias continuava sendo efetivo nos contra-ataques mesmo após o gol, impondo muita velocidade nas transições. O time adversário teve que se expor e preencher o campo de ataque com ainda mais jogadores e com isso, teve que pressionar muito logo após a perda de posse para não deixar o Galo realizar uma boa transição. Para exercer essa pressão pós perda, o Atlético Paranaense tinha que flutuar seus jogadores para o setor da bola, desequilibrando o time em largura, ou seja, diminuindo os espaços entre os jogadores, mas deixando o lado oposto mais livre. Em 3 oportunidades, o Galo conseguiu sair bem dessa pressão pelo lado direito e acionar Terans pelo lado esquerdo, mas as jogadas não criaram muito perigo.

Em outro contra-ataque, o Atlético fez o terceiro gol na partida, com Ricardo Oliveira, recebendo passe de Cazares depois de uma bela associação dele com Luan, também pelo lado direito. A partir dai o Atlético Paranaense se viu sem forças e não conseguiu criar situações perigosas.


Equilíbrio: a chave para as vitórias

Em entrevista exclusiva ao blog do Renato Rodrigues da ESPN, Thiago Larghi disse ter introduzido maior carga de treinamentos buscando o equilíbrio defensivo do time, tentando dar ênfase para corrigir a transição defensiva e, principalmente, a marcação nas bolas paradas. A média de gols pós-Copa diminuiu, enquanto ofensivamente o time não seja como antes da parada para a Copa do Mundo.

Veja a entrevista na íntegra:

http://www.espn.com.br/blogs/renatorodrigues/753797_entrevista-do-mes-larghi-fala-em-reconstrucao-no-galo-revela-inspiracao-em-guardiola-e-sarri-e-diz-que-falta-sequencia-na-selecao

Na mesma entrevista, Larghi exalta a busca por um time equilibrado comprovado pelos últimos jogos com um time cada vez mais competitivo norteado por uma defesa mais segura. Assim, fica claro como a busca pelo equilíbrio nos treinamentos e a saída de peças importantes impactaram na queda ofensiva sendo necessário um tempo para a comissão técnica ajustar a carga nos treinamentos e buscar novamente uma crescente ofensiva.

A evolução em números:

A última vez que o Galo levou 2 gols em uma só partida foi contra o Bahia, no dia 30 de julho. Até então, haviam sido disputadas 16 partidas, com 24 gols sofridos (1,5 por jogo). Após a 16ª rodada, foram 8 jogos, com apenas 6 gols sofridos (0,75 por jogo), ou seja, a equipe reduziu pela metade a média de gols sofridos, evidenciando ainda mais a melhora defensiva do time.


Estatísticas da Partida


As estatísticas da partida em outra perspectiva


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