Análise: Botafogo x Galo – Vitória incontestável

Por: Lucas Silva e Rodrigo Campos

Foto por: Bruno Cantini / Atlético


Botafogo 0 x 3 Galo

Na última partida do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, o Atlético venceu o Botafogo por 3 a 0 no Engenhão. Em uma partida segura e muito boa da equipe do Galo, vários jogadores se destacaram, principalmente Chará, Galdezani, Cazares, Luan e Maidana.

A vitória fez o Atlético abrir 7 pontos de vantagem para o sétimo colocado e garantir boa vantagem para seguir disputando uma vaga na Libertadores de 2019.


Galo esperando o Botafogo e jogando no erro do adversário

Durante a semana que antecedeu o jogo contra o Botafogo um dos treinamentos deu ênfase para uma pressão na saída de bola botafoguense. Então, durante o primeiro tempo, a tônica foi seguir o planejamento feito durante a semana com o time esperando o rival adiantar suas linhas e buscar recuperar a bola no meio campo para buscar um contra ataque.

Formações iniciais (Galo no 4-1-4-1)

É interessante notar que o mapa de posicionamento médio do Galo mostra o time nem tão recuado (chamado de bloco médio), comprovando a espera pelo desarme em uma zona mais próxima do gol botafoguense, gerando duas consequências. A primeira são os jogadores de ataque mais próximos do gol rival quando o time conseguia desarmar algum botafoguense. Já a segunda é uma menor distância a ser percorrida para os jogadores realizarem o contra ataque, deixando o time mais inteiro fisicamente na partida, o que nitidamente ficou claro na segunda etapa.

Posicionamento médio até os 30 minutos do primeiro tempo (SofaScore)

Porém, o Botafogo estava bem armado e sabia do poder criativo pelo lado esquerdo, principalmente com Cazares, então, Zé Ricardo estruturou toda sua equipe para ser protagonista com a bola no pé e, caso perca a bola, a ideia era compactar vários jogadores para impedir a criação no lado esquerdo. Novamente, o mapa de posicionamento do Botafogo na primeira etapa comprova a estratégia com o lado direito bem compacto.

Então, com a estratégia botafoguense, o Galo se viu na obrigação de variar os lados da jogada e a dupla Emerson-Chará era ativada constantemente em viradas de jogo, principalmente de Cazares. Além disso, como o Botafogo concentrava suas atenções no lado oposto, então, Chará conseguia receber várias bolas no 1 x 1 facilitando um de seus principais atributos: a vitória pessoal, o drible.

Com as viradas do lado esquerdo para Chará e Emerson (novamente bem no ataque), além de um lado criativo pela esquerda com Cazares, Nathan e Fábio Santos, o time cumpriu a estratégia da comissão técnica e foi capaz de criar algumas boas chances.


Luan: Intensidade para as transições

No início do segundo tempo o Botafogo começava a achar alguns espaços e o Atlético não conseguia controlar as ações ofensivas mais perigosas como no primeiro tempo. Era a hora de substituir. Luan entrou na vaga de Nathan, que vinha apagado na partida, se mostrando ainda sem ritmo de jogo.

Logo após entrada do “Menino Maluquinho”, o Galo já dava indícios de melhora quando ele inicia a jogada junto a Emerson e tabela até receber um belo passe de Galdezani para marcar o primeiro gol. Fato é que o ataque atleticano precisava de mais intensidade nesse momento da partida, tanto para exercer o perde-pressiona como também para impor velocidade nas transições, o que Luan faz muito bem.

Na jogada do terceiro gol, Luan desarma o lateral botafoguense e permite Ricardo Oliveira achar Tomás Andrade para fazer o gol. É importante ressaltar o compromisso dos jogadores, que exerceram a marcação alta até o final da partida, chegando a ter 7 jogadores marcando no campo adversário, sem deixar o Botafogo sair jogando de forma tranquila.

Pressão na saída de bola até o final da partida (7 jogadores marcando no campo adversário)

Outra importante alteração na formação, quando Luan entrou, foi Chará ser deslocado para o lado esquerdo, ficando mais próximo ao setor forte de criação do time.


Cazares bem na criação e Chará ganhando os duelos individuais

Falamos aqui em outras análises sobre a deficiência na criação de oportunidades de gols que vinha aterrorizando Larghi. Sem poder utilizar Cazares por conta de uma negociação envolvendo o meia, o técnico atleticano não tinha opções para melhorar essa criação, desde a base da jogada até a assistência para gerar uma finalização. Na última partida, contra o Santos, ele já tinha sido importantíssimo na construção e, contra o Botafogo, novamente foi um diferencial para a equipe trocar passes e acionar seus jogadores mais incisivos na frente, como Chará e Ricardo Oliveira.

Passes p/ Último Terço de Cazares acionando os jogadores da frente (Chará e R. Oliveira) (Wyscout)

Nessa partida, o Galo voltou com o volume de oportunidades criadas que era característica do time antes da copa. Foi o maior número de finalizações em uma partida no pós copa (19 finalizações). Cazares e Chará foram líderes de assistências para finalizações da equipe, veja a imagem abaixo.

Cazares e Chará ajudaram o Atlético a criar várias oportunidades de gol

No primeiro tempo, Chará parecia meio apagado no jogo, isso por receber pouco a bola, jogando pelo lado direito, longe da base de criação logo após a saída de bola, onde Cazares estava. As melhores bolas encontradas para alimentar o ponta colombiano vieram por viradas de jogo. No segundo tempo e com a entrada de Luan, Chará foi para o lado esquerdo, onde podia participar da criação junto a Cazares e também receber essa bola com qualidade através da trica Cazares – Fábio Santos – Chará.

Outra característica de Yimmi Chara é sua qualidade em ganhar duelos 1 x 1 contra os adversários. O segundo gol atleticano sai assim. O colombiano, com sua incrível leitura de espaço e habilidade, ganha uma disputa de cabeça direcionando a bola para o campo de ataque e, com sua velocidade, deixa mais um marcador para trás e dá uma arrancada de 62 metros para deixar Cazares na cara do gol.

Duelos ofensivos de Yimmi Chará, líder nas vitórias pessoais (Wyscout)

Essa associação entre e Cazares e Chará, unindo técnica, habilidade e velocidade, pode ser uma importante arma para o Atlético até o fim do Campeonato Brasileiro, é bom ver os dois pelo mesmo lado do campo.


Destaques defensivos: Emerson e Iago Maidana

Na defesa, dois destaques. O lateral Emerson vem mostrando evolução, tanto na parte defensiva como na ofensiva. Na jogada do primeiro gol, Emerson dá um lindo passe de calcanhar para Luan pelo lado do campo, possibilitando a ele tabelar com Galdezani e infiltrar na área para marcar. Na fase defensiva, Emerson vem muito bem nos duelos aéreos, muito por conta da sua altura e também na velocidade de recuperação nos lances, não dando espaços para os pontas adversário. Contra o Botafogo, foi muito bem protegendo o setor.

Duelos aéros – Destaque para Maidana, que ganhou todas as disputas (Wyscout)

Outro destaque é Iago Maidana. O zagueiro chegou prestigiado mas demorou a ter uma sequência de jogos. Neste domingo foi muito bem, assim como no jogo contra o Santos, principalmente nos duelos aéreos. Foram várias imposições físicas para ganhar disputas pela bola. Junto a Léo Silva, vem domiando na área e dando a Larghi segurança para tentar induzir os ataques adversários pelos lados do campo. Importante evolução para um setor bastante criticado.


Fim da partida no 4-4-2

Novamente Larghi utilizou uma variação para a equipe no 4-4-2 na fase defensiva, liberando Cazares para ficar mais próximo a Ricardo Oliveira no final da partida. Nos outros jogos, quem fazia essa função na variação era Elias. Com a entrada de Lucas Cândido, recuado ao lado de Zé Welison, o Galo protege bem a área e força as jogadas pelas laterais dos adversários, que encontram Maidana e Léo Silva ganhando todas as bolas áreas, característica também já citada em outras análises.

Com essa formação o time ganha mais poder associativo no ataque, tendo sempre um bom criador a frente para organizar o contra ataque.

Formação atleticana no final da partida (4-4-2)

Resta saber agora como Larghi fará com a volta de Elias, uma vez que o poder de construção da equipe cresceu consideravelmente nessa última partida. Quem deverá sair? Cazares? Galdezani? Deslocar Cazares pra esquerda e sacar Nathan? Elias no banco? Vamos ver o que fará Larghi.


Ficha Técnica

Partida: Botafogo 0 x 3 Atlético

Motivo: Campeonato Brasileiro, 19ª Rodada

Data: 19/08/2018

Horário: 16:00

Gols: Atlético: Luan (16′ 2ºT), Cazares (35′ 2ºT) e Tomás Andrade (44′ 2ºT).

Cartões: Botafogo: Luiz Fernando e Rodrigo Pimpão; Atlético: Matheus Galdezani, Emerson, Victor e José Welison.

Botafogo: Saulo, Luís Ricardo, Joel Carli, Igor Rabello e Moisés; Gustavo Bochecha (Brenner), Rodrigo Lindoso (Marcelo), Luiz Fernando, Renatinho (Rodrigo Pimpão) e Leonardo Valencia; Rodrigo Aguirre
Técnico: Zé Ricardo

Atlético: Victor, Emerson, Leonardo Silva, Iago Maidana, Fábio Santos; José Welison, Matheus Galdezani (Lucas Cândido), Juan Cazares (Tomás Andrade) e Nathan (Luan); Yimmi Chará e Ricardo Oliveira
Técnico: Thiago Larghi


Estatísticas da Partida


As estatísticas da partida em outra perspectiva


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