Setor ofensivo: por que o Galo não está marcando gols?

Setor ofensivo: por que o Galo não está marcando gols? Veja os números.

Por: Rodrigo Campos

Foto por: Bruno Cantini / Atlético




É simples notar que o Galo vem tendo problemas, dentro e fora das quatro linhas. Não se pode ter certeza da influência dos problemas externos sobre os jogadores, mas uma coisa é certa, para sairmos da situação atual, é preciso melhorar o desempenho no setor ofensivo.

Ao contrário dos últimos anos que nos orgulhávamos de possuir sempre um dos melhores ataques das competições, os últimos jogos estão fazendo o torcedor atleticano ficar preocupado. São 6 gols em 10 jogos. No Campeonato Brasileiro, o Galo marcou 19 gols em 19 jogos, média de 1 por jogo, pior média do Galo em um primeiro turno na era dos pontos corridos. O reflexo disso é a amarga 14ª colocação no campeonato.

Vamos tentar entender, através dos números e análise de fundamentos, como está a situação atual do setor ofensivo e o que precisamos melhorar.

Nossas peças de ataque e respectivos números

Para essa análise, vamos considerar o setor ofensivo sendo composto pelos jogadores de meio (menos volantes) e ataque. Hoje no elenco alvinegro, contamos com as seguintes opções para compor o ataque: Fred, Rafael Moura, Elder, Robinho, Otero, Luan, Cazares, Marlone, Valdívia e Pablo. Veja na tabela abaixo, os números desses jogadores no Campeonato Brasileiro e o total se considerarmos a equipe inteira do Galo:

Na tabela, vemos que os números dos nossos jogadores do setor ofensivo não são dos melhores. Fred é o artilheiro do Galo no Campeonato Brasileiro, com 5 gols, e Cazares o maior assistente, com 5 passes para gol. Cazares também é o maior assistente para finalização e o líder em finalizações. O ataque é responsável por 68,42% dos gols do Galo no campeonato.

Já foram utilizados 10 jogadores nesse setor no campeonato, o que já pode mostrar indícios de uma falta de entrosamento.

Comparação com 2016

No Campeonato Brasileiro de 2016, o Galo teve segundo melhor ataque da competição, com 61 gols em 38 jogos e média de 1,6 gols por jogo. Veja o quadro comparativo:

A tabela traz situações preocupantes. Em 2017 o Galo tem média de finalizações por jogo maior que em 2016, porém tem a média de gols por jogo muito menor. O Galo desse ano necessita de pelo menos 4 finalizações a mais para fazer um gol.

Veja agora, como foi o desempenho no Campeonato Brasileiro de 2016 dos 4 maiores goleadores do ataque do Galo esse ano. Ao lado, podemos comparar com a média desse ano.

A média de gols por jogo de todos os principais jogadores é menor, todos caíram de rendimento na hora de fazer o gol. Apenas Cazares aumentou sua média de finalizações expressivamente, o que também reflete um problema, que será detalhado a seguir.

A partir das comparações, tiramos como conclusão que o o ataque em 2017 finaliza mais que em 2016, porém é muito menos efetivo. Além disso, os principais jogadores do ano passado não estão rendendo o esperado em 2017, o que faz a rotatividade do ataque ser maior e mais jogadores são escalados nesse setor, dificultando o entrosamento.

Se a equipe finaliza o mesmo tanto, por que o gol não sai?

O problema não é chutar nem acertar o gol. O Galo precisa ser mais letal e aproveitar as oportunidades. A principal diferença entre esse ano e o ano passado é a quantidade de finalizações necessárias para se fazer um gol, ou seja, nossos atacantes não estão aproveitando as oportunidades.




Entendemos que dois fatores são os principais responsáveis pela falta de gols, a organização do time no momento ofensivo e a péssima fase de alguns jogadores. Esses principais fatores podem se ramificar em outros problemas, como preparação física, treinamento, problemas externos, entre outros.

Se o Galo conseguisse manter a mesma média de finalizações por gol do ano passado, teria feito 31 gols, 12 gols a mais que já fez esse ano no Campeonato Brasileiro.

1)      Organização Ofensiva

Cada treinador tem um estilo próprio de preparar sua equipe para atacar. Em 2013, por exemplo, tínhamos muitas jogadas ofensivas com o lançamento para o desvio de cabeça do Jô enquanto ocorria a ultrapassagem de outro jogador. Outro estilo, por exemplo, é o do Corinthians esse ano, que é o típico time reativo. Se fecha na defesa e, quando recupera, inicia uma transição ofensiva rápida com bastante amplitude pelas pontas. Outros técnicos preferem que a equipe controle a posse de bola e ocupe com mais jogadores que o adversário um determinado espaço no ataque, facilitando o toque de bola e propiciando mais chances de tabelas até a finalização.

O que é comum entre todos os estilos citados que se mostram eficazes no futebol atual é a boa movimentação dos jogadores do ataque. Hoje, essa é a principal deficiência do Galo. A movimentação quase inexiste em alguns momentos, levando ao ataque trabalhar menos a bola e muita das vezes arriscar uma finalização difícil ou de longa distância. O pior momento é quando as opções não aparecem e a jogada que resta é o cruzamento na área, sem critério algum.

Após o jogo contra o Corinthians, o repórter Léo Gomide, postou em suas redes sociais um vídeo com uma análise justamente sobre a organização ofensiva das duas equipes. Veja o vídeo abaixo:

Veja nas imagens abaixo outros momentos que ilustram a falta de uma movimentação consistente no ataque:

Essas imagens são apenas exemplos de situações recorrentes nos jogos do Galo. A última, mostra o time do Corinthians conseguindo colocar o mesmo número de jogadores dentro da área do Galo e aproveita o rebote do chute errado para fazer o gol.

2)      Fase ruim dos jogadores

Muitos jogadores e técnicos dizem que a confiança é responsável por 90% da capacidade de um atleta desempenhar bem sua função dentro de campo. Alguns jogadores do Galo estão em péssima fase e sem essa confiança necessária. Todos sabemos da qualidade de finalização do Fred, da presença de área do He-Man, da qualidade do passe do Cazares e da habilidade e poder de definição do Robinho. É por isso que confiamos que podem melhorar. Uma das principais percepções que se pode fazer de um jogador sem confiança é o erro na tomada de decisões. Veja abaixo algumas imagens que ilustram momentos de tomadas de decisões erradas e falhas individuais nos últimos jogos:

Como resolver esse problema?

Claro que não é tão simples solucionar um problema como esses, mas podemos tentar escrever uma receita depara tentar minimizar os problemas ofensivos do Galo.

A receita é:

1)      Definir um estilo para a organização ofensiva;

2)      Aumentar a movimentação no ataque;

3)      Como consequência, criar chances mais claras de gol;

4)      Retomada da confiança para tomadas de decisão corretas em finalizações e últimos passes;

5)      Gols!

É óbvio que todos os itens acima não serão resolvidos de uma hora pra outra. Acredito que as últimas modificações do técnico Micale no time tem como principal objetivo o aumento dessa movimentação, porém as peças não se mostraram eficazes. 

Como relacionar o elenco atual com a organização ofensiva?

Bom, aqui vai apenas uma opinião. Os jogadores mais técnicos do Galo estão em uma idade avançada, não possuem a mesma movimentação que jogadores mais jovens. Se Rogério Micale tentar implementar um jogo de transição rápida, terá de selecionar jogadores mais jovens e com mais movimentação e qualidade no ataque, porém essa característica é rara no elenco alvinegro.

Talvez a única saída possa ser continuar a ideia de Roger Machado e tentar controlar a posse de bola e trocar passes até uma situação clara de gol. O desafio de Micale será conseguir que os jogadores consigam se movimentar mais e apresentar uma superioridade numérica em algum setor do ataque, situação que a equipe do Roger não estava conseguindo apresentar.

Melhorar a organização ofensiva deve ser prioridade, pois sem gols, não sairemos dessa situação. Estamos na torcida para que o Galo melhore o mais rápido possível.

 

VAMOS GALO!

 

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