Galo pós Roger no Campeonato Brasileiro: O que Mudou?

GALO PÓS ROGER MACHADO NO CAMPEONATO BRASILEIRO: O QUE MUDOU?

Por: Rodrigo Campos com participação de Léo Gomide

A vida do atleticano está assim: uma semana feliz, outra chateado, uma esperançoso e outra decepcionado. O Galo vem alternando entre boas e más atuações, deixando o torcedor sempre na dúvida quando assiste aos jogos: “Será que o hoje o time vai jogar bem?”

Foto por: Bruno Cantini / Atlético

Um dos principais fatores que tornam essa temporada do Galo tão inconstante é a troca de técnicos. Oswaldo de Oliveira é o terceiro técnico do time no Campeonato Brasileiro, ou seja, foram três formas de pensar diferentes, três maneiras de treinar o time diferentes e três outros inúmeros fatores diferentes de comando em um mesmo campeonato. Resumindo: uma bagunça.

As opiniões sobre a qualidade de determinado técnico são diversas entre os torcedores, mas é sempre bom basear essas opiniões no maior número de informações que for possível agregar. Roger Machado foi o primeiro técnico do Galo no ano, desde a pré temporada até o dia 19 de Julho. Apesar de ter iniciado a carreira recentemente, foi reconhecido anteriormente por um bom trabalho no Grêmio, com idéias modernas sobre o futebol e propostas de jogo bem definidas.

O fim do trabalho de Roger no Galo todos nós já sabemos. Apesar do bom começo, quando foi campeão do Campeonato Mineiro e teve a melhor campanha da fase de grupo da Libertadores, foi demitido após resultados ruins no Campeonato Brasileiro, principalmente em casa. Roger comandou a equipe em 15 jogos do campeonato, metade dos jogos disputados até então pelo Galo, que após a vitória no clássico de domingo, completou 30 partidas no Brasileirão.

Após a demissão de Roger Machado, o que será que mudou? O desempenho da equipe melhorou? Quais idéias foram deixadas para trás? Vamos ver o que os números mostram.


Bom, vamos aos números!

Vamos analisar os números para entender as diferenças entre os 15 primeiros jogos sob o comando do técnico Roger Machado no Brasileirão e os 15 últimos jogos do Galo na competição. Como o técnico foi responsável pela implementação de uma ideia de jogo desde a pré temporada, o foco será comparar os números que influenciam nessas ideias propostas pelo treinador.

A análise foi elaborada pelo repórter Léo Gomide, da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, em conjunto com o Galo Estatísticas, utilizando números fornecidos pelo site Footstats.

Primeiramente, vamos comparar o desempenho:

Imagem: Galo Estatísticas – Análise Comparativa, Desempenho

A partir da imagem acima, podemos ver que o Galo manteve quase o mesmo desempenho após a demissão de Roger Machado. Com um ponto a mais, a equipe não rendeu mais que nos 15 primeiros jogos.

Apesar do desempenho parecido, vamos analisar agora os fundamentos. Veja a imagem abaixo:

Imagem: Galo Estatísticas – Análise Comparativa, Fundamentos

Veja que, na imagem, foram destacados alguns fundamentos cuja a diferença é grande entre os períodos no Campeonato Brasileiro. Agora vamos comparar essa diferença com o estilo de jogo proposto pelo técnico Roger desde o início na temporada, primeiro, com um pouquinho de “tatiquês”, para contextualizar a análise.


O Jogo de Posição

O “Jogo de Posição”, ou “Jogo Posicional”, pode ser simplificado como um estilo de jogo em que a equipe se propõe a procurar em todos os momentos a superioridade (numérica, posicional ou qualitativa), tanto para gerar opção de passes como também para roubar a bola do adversário.

O princípio da superioridade numérica e posicional no momento defensivo, sugere que a equipe feche espaços no campo para criar dificuldades ao adversário, facilitando a interceptação de passes e roubadas de bola. Muitas das vezes essa superioridade é direcionada a uma determinada faixa do campo (Veja nossa análise: Por que os laterais do Galo desarmam tanto?). Observe que estamos falando de uma variação da famosa “marcação por zona”, contrária a marcação individual, que tem como uma das características a perseguição ao adversário por um jogador.

O técnico Roger Machado, em algumas entrevistas, destacou que o conceito que estava implementando no Galo era exatamente o “Jogo Posicional” descrito acima. Veja agora o reflexo da mudança desse estilo de jogo após a demissão do treinador.


O Jogo Posicional e as Interceptações, Rebatidas e Desarmes

Com uma equipe bem posicionada defensivamente, diminuindo espaços e criando superioridade numérica para retomar a posse de bola, a tendência é o crescimento de números defensivos como: rebatidas, interceptações e desarmes. Após a saída de Roger, veja como esses números diminuíram bruscamente, comparando o mesmo número de jogos.

  • Desarmes: com Roger 250, pós Roger 214.
  • Interceptações: com Roger 48, pós Roger 23.
  • Rebatidas: com Roger 509, pós Roger 452.

Os Números Defensivos Caíram, Qual o Reflexo Disso?

Agora vamos analisar a consequência gerada pela queda dos números defensivos. Quando se pressiona menos o adversário, menos perdas de posse ele sofre e consequentemente, melhor é a troca de passes do adversário. Tocando melhor a bola, o adversário chega ao gol do Galo mais fácil, aumentando o número de assistências e consequentemente o número de gols sofridos. Veja a comparação no mesmo número de jogos:

  • Perdas de Posse do Adversário: com Roger 511, pós Roger 444.
  • Passes Certos do Adversário: com Roger 4410, pós Roger 4875.
  • Passes Para Gol do Adversário: com Roger 9, pós Roger 17.

Quando a equipe adversária possui a bola, a qualidade de passes e a facilidade da troca é maior após a demissão do treinador. O Galo se tornou mais frágil defensivamente.


Cruzamentos: Por Que o Numero Expressivo?

Pela análise comparativa, conseguimos observar que, com a saída do treinador, o número de cruzamentos caiu expressivamente. Roger Machado treinava a equipe para um momento ofensivo utilizando as laterais, porém, quando o Galo enfrentou times jogando fechados, faltaram características de rompimento de marcação e quebras de linhas defensivas através de passes. Veja:

  • Cruzamentos: com Roger 438, pós Roger 319.

Talvez esse seja um dos pontos mais discutidos do período de Roger a frente do Galo. Foram feitas várias críticas ao excesso de cruzamentos. Sem dúvida foi um ponto negativo no trabalho, que foi melhorado nos últimos 15 jogos. Faltaram peças para executar dribles nas laterais e também faltaram jogadas para romper as linhas de marcação.


Conclusão: Quais as Consequências da Interrupção do Trabalho?

Com os números analisados, observamos que o desempenho defensivo da equipe teve uma queda brusca em termos de marcação. Toda a proposta de jogo desenvolvida pelo técnico Roger desde o começo da pré temporada se desfez após a demissão. Apesar de não convencer uma parte dos torcedores e receber duras críticas, algumas justas, é importante ressaltar a relevância de uma ideia de jogo na construção de uma equipe, comprovada nessa análise através dos números.

É repetitivo, mas é sempre bom lembrar que uma avaliação bem feita do trabalho de um treinador deve estar diretamente ligada a um projeto da direção do clube. Não podemos nos atrelar à ideia de culpar individualmente o técnico, o jogador A ou o jogador B. O futebol em campo é consequência de toda a estrutura do clube, do jardineiro ao presidente. Se esse conjunto não for alicerçado por um modelo ou um projeto bem desenvolvido, nada funcionará.

O futebol evolui junto com o mundo. A tendência do futebol é cada vez mais se modernizar, cada vez mais será importante adotar novas ideias, e os dirigentes precisam evoluir também.

Foto por: Bruno Cantini / Atlético


Site do Footstats: http://meu.footstats.net/#/feed

Léo Gomide

Galo Estatísticas

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